Fiji – É cada um por si

Hoje, uma sexta-feira chuvosa e de confinamento aqui em Portugal, me deu vontade de contar sobre uma viagem que eu fiz em 2009 para as Ilhas Fiji com minhas duas amigas chilenas, companheiras de confusão para toda hora, Claudia e Paulina.

Estávamos todas estudando da Austrália e achamos esse pacote para Fiji, feito para mochileiros, por um preço bem razoável, decidimos ir. Até então mal sabíamos onde ficava Fiji, mas a gente sabia que era lindo. Para quem também não sabe, Fiji é um arquipélago que fica no Oceano Pacífico, mais ou menos perto da Austrália.

Fiji tem duas ilhas principais e um monte de pequenas ilhas em volta. O nosso pacote era para conhecer 6 pequenas ilhas de um conjunto de ilhas chamado Yasawa (marquei no mapa), aproveitamos para passar uns dias na ilha maior, mas vou deixar essa história para outra hora, hoje vou contar das pequenas ilhas.

Saímos da Austrália, Paulina, Jay (um amigo australiano) e eu, Claudia e Divya (uma amiga indiana) nos encontrariam lá no dia seguinte. Fomos para a ilha principal, passamos uma noite e de lá pegamos o barco que nos levaria para a primeira ilha, chamada Beachcomber, que era conhecida por ser uma ilha destinada à baladas. Decidimos passar 3 dias ali e depois seguiríamos para as outras ilhas. Nesse dia eu até comi peixe no formato (quando não tira a cabeça e ele vem inteiro no prato), que é uma das coisas que mais me apavora nesse mundo, animais no formato, e um dos motivos pelo qual eu virei vegetariana, mas lá não tinha outra opção.

Minha gente, quando disseram que era uma ilha de baladas a gente não tinha ideia que era só balada, dia e noite, sem parar. Quando chegamos a ilha estava super cheia de turistas, jovens do mundo inteiro, e continuou assim até saírmos, era um tal de entra e sai de gente o dia todo. Descobrimos que muita gente ia para Fiji especiificamente para ficar nessa ilha bebendo e dançando o dia todo.

Chegando na llha

Acho que Claudia e Jay estavam me jogando pra cima, sei lá, mas é a única foto que mostra o resort ali atrás.
Paulina e eu talvez dançando, talvez não, nunca teremos certeza
Claudia, eu e Divya tentanto tirar uma foto pulando, que era moda na época
Day drinking… beber de dia era parte do ritual
Paulina, eu, pessoa desconhecida, Claudia e Divya

A ilha era maravilhosa, aquela areia branquinha, um mar transparente, um monte de gente fina, elegante e sincera, mas era isso, a ilha era especificamente para baladas. Nos divertimos muito, conhecemos milhões de pessoas do mundo inteiro, dançamos, bebemos, ficamos de ressaca, curamos bebendo mais um pouco, mas após o terceiro dia estávamos prontos para partir. Jay iria voltar para a Austrália e nós 4 seguiríamos viagem.

A única coisa é que estávamos preocupados com a Divya, ela era vegana e não tinha encontrado muitas opções de comida. Pelo que eu me lembro ela passou os 3 dias comendo frutas e pão, porque as outras coisas ou tinham carne ou tinham encostado em carne. Mas ela disse que estava tudo bem, então seguimos.

O esquema da viagem era assim, a gente tinha um “passaporte” que nos dava direito a visitar 6 das várias ilhas que tinha nesse sub-arquipélago (invenção minha) chamado Yasawa. Todos os dias um barco ia passando de ilha em ilha e você podia pegar esse barco ou não, mas era um por dia. Então se a gente quisesse sair de uma ilha para a outra teríamos que estar no ponto do barco na hora marcada, ele nos levaria para a próxima ilha e ali teríamos que passar a noite. Era tipo um ônibus, mas só tinha aquele mesmo, depois que ele ia embora não tinha como sair dali. E o nosso passaporte era “all inclusive” então em qualquer das ilhas que a gente quisesse descer a gente teria acomodação e alimentação incluídos.

Para a surpresa de ninguém, o que eles chamavam de “resort” era na verdade um quarto cheio de camas, tipo um hostel, na casa das famílias que moravam nas ilhas e a alimentação era o que eles cozinhavam para eles e compartilhavam, não tinha opção de nada. O que tudo bem, já que a gente tinha pagado super barato mesmo. Mas a Divya não aguentou e acabou voltando antes, ela não conseguia encontrar nada para comer.

Abaixo tem fotos de alguns dos alojamentos em que a gente dormiu.

Na primeira ilha descobrimos um conceito que nos acompanhou pela viagem inteira chamado “Fiji Time”, basicamente os locais faziam as coisas na hora que eles queriam. Deu meio dia e o garçom estava com sono, ele ia dormir e o almoço só era servido na hora que ele acordasse. E era assim para tudo, você marcava um passeio as 3 da tarde, mas ele poderia sair só as 5, dependendo de como o capitão do barco estava se sentindo… e quando a gente reclamava eles diziam “relax, Fiji time”… acabamos nos acostumando.

Um dia fomos fazer um passeio para o local onde havia sido gravada uma cena de “A Lagoa Azul”. Esse dia foi tenso. A lago ficava dentro de uma caverna e a gente tinha que atravessar a caverna, nadar em uma parte aí a gente chegava a um paredão e o cara falava “agora confia em mim e mergulha por baixo do paredão, é rapidinho, a pedra é estreita”. Não tinha nenhum equipamento de segurança, nenhum médico, nada, era um cara desconhecido te mandando segurar o ar e passar por debaixo de uma pedra sem saber o que ia acontecer. Fomos. Se fosse hoje eu acho que não iria. Mas no fim deu tudo certo e a lagoa era linda mesmo.

A gente tinha que entrar ali, mergulhar e sair do outro lado

Essa era a lagoa que tinha do outro lado
Vista na saída da caverna

Em outra ocasião fomos fazer um passeio pra ver tubarões. Quando estávamos esperando a lancha chegou um grupo que tinha acabado de voltar de lá e uma menina estava com a mão toda enfaixada sangrando, tinha sido mordida por um tubarão. Eles disseram que ela que mexeu com o bicho, mas era tudo assim, sem segurança nenhuma, cada um por si. Mesmo assim fomos.

Tubarão

Outra coisa interessante sobre Fiji é que eles têm um terceiro gênero. Explicando de forma simplista, homens que nascem com rosto bonito são vestidos e tratados como mulher e são aceitos assim pela sociedade (para mais informações, favor dar um Google).

Passamos pelas 6 ilhas a que tínhamos direito, em duas ficamos com muito medo porque tinham muitos homens na família que cuidava da acomodação e nenhum outro hóspede, só nós quatro. As vezes fazíamos revezamento pra dormir a noite para sempre ter alguém de olho e sempre íamos em dupla no banheiro, que na maioria das vezes ficava fora do quarto. Mas felizmente nada aconteceu e voltamos sãs e salvas para o continente, que é como eles chamam a ilha principal. No continente alugamos um carro e viajamos mais uns dias, mas vou deixar essa história para depois.

Uma última reflexão antes de terminar. Nessas ilhas de Fiji que a gente visitou, pelos menos naquela época, eles viviam completamente alheios ao que acontecia no mundo, toda a informação que eles tinham vinha dos turistas que estavam visitando e contavam alguma coisa sobre seus países. Por exemplo, eles conheciam Pelé e tinha ouvido falar em carnaval, mas não sabiam onde ficava o Brasil e nem o Chile. Mais uma vez, assim como na minha viagem ao Nepal, eu me pergunto se eles são mais felizes do que nós, que estamos sempre conectados. Ainda sem resposta.

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