Correndo pelada de pochete

O título nasceu antes do texto. Uma amiga do grupo que eu citei no post anterior (Quem quer conversar?) falou que ela se identificava com essa necessidade de conexão que eu comentei e que também estava sofrendo no confinamento, que ela tinha até vontade de sair correndo pelada na rua. Como eu sou uma pessoa muito pragmática e Portugal agora está cheio de regras pra sair na rua, eu avisei que ela teria que levar um comprovante de residência e que, portanto, se fosse sair correndo, teria que ser de pochete.

No meio desse non sense todo eu comecei a pensar nas coisas que realmente me faziam falta nesse confinamento, além das que eu já falei.

Estou morrendo de vontade de uma comida indiana, de pamonha, que não como há anos (as desvantagens de se morar fora do Brasil) e um doce bem doce, como um musse ou um cheesecake, mas os locais aqui em volta só vendem aquelas coisas de padaria tipo queijadinha. Tudo isso pode ser encontrado em Portugal, mas não esse momento (pelo menos não onde eu moro).

Mas saudade mesmo eu tô é de uma cerveja em mesa de bar. Porque cerveja em casa nós temos, mas não tem o mesmo gosto daquele cerveja que o garçom traz pra uma mesa cheia de amigos, melhor ainda se no final estiver todo mundo bêbado implorando por um chorinho.

Saudade de passar vergonha cantando Evidências ou Bon Jovi num videokê. De sair pra comprar pão, encontrar com alguém na rua e ficar pra um café. De ler um livro na praia tomando uma caipirinha bem forte com gelo de procedência duvidosa.

De comer o pavê de doce de leite da minha mãe, o bolo de cenoura da minha tia, o musse de maracujá em copinhos de chocolate da minha amiga, o pão de queijo feito na hora por outra tia. Aliás saudade de tudo que é de família, inclusive das confusões.

Até da 25 de Março eu tenho saudade. Descer na estação São Bento do metrô e já sentir aquele bafo quente na sua cara, se acotovelar pra conseguir descer a ladeira Porto Geral, andar escondendo a bolsa e desviando dos guarda chuvas, bons tempos.

Saudade de ir numa danceteria e me sentir a pessoa mais velha do local, e mesmo assim dançar sem parar. De entrar num trem lotado só pra fazer turismo em algum lugar. E de aglomerar, de aglomerar muito, sem máscara, sem álcool gel e sem me preocupar em ter que lavar a mão por 20 segundos depois de encostar na pessoa ao meu lado.

Bons tempos em que pra correr pelado não precisava de pochete. Mas a verdade é que correr pelado sozinho não tem graça, o legal mesmo vai ser quando a gente puder correr pelado em grupo, e agora faço questão da pochete!

(Sim, essa da foto sou eu. Obrigada mãe e obrigada pai por terem desenvolvido meu senso de moda desde cedo)

2 comentários sobre “Correndo pelada de pochete

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s