Depois de um longo e tenebroso isolamento

Voltei. Não só a escrever no blog, mas voltei a ter algum controle sobre a minha vida.

Essa coisa de covid é uma loucura mesmo, né? Passamos quase dois anos nos escondendo, nos isolando, respeitando cada uma das regras impostas pelos governos, fomos cidadãos exemplares, e agora, na reta final, esse bicho nos alcançou.

O primeiro foi Paulo Eduardo, testou positivo em uma segunda-feira. Passou dois dias sem sair da cama e acordou novo no terceiro dia.

Claro que assim que ele testou positivo, Lara e eu nos isolamos também, nada de por o pé na rua, só no quintal pra tomar um ar.

No começo PE tentou se isolar, usar máscara e tals, mas a gente sabia que o meu positivo era iminente, a gente sabe que a pessoa já está contaminada e contagiosa antes de testar positivo e a gente já tinha passado o fim-de-semana sem nenhum cuidado.

Testei positivo na quarta a noite. Fiquei de cama quinta e sexta, só exausta e nada mais. Ainda bem que pelo menos os sintomas foram coordenados, eu só caí quando ele se recuperou.

Rezamos para que a Lara não tivesse nada, conseguisse escapar, mas é impossível isolar e se isolar de uma criança de 2 anos, claro que ela também pegou. Mas o dela foi leve, bem leve. Teve febre um dia e uma noite e acordou nova, com toda a energia que lhe é costumeira.

A grande merda é esse efeito cascata. Se todo mundo testasse positivo no mesmo dia a gente fazia os nossos 7 dias de isolamento, a Lara faria os 10 dela e rapidinho já tava todo mundo voltando à vida normal. Mas quando vai indo um de cada vez o isolamento vai se estendendo, o que poderiam ter sido 10 dias viraram 16. Dezesseis dias em casa com a Lara. Literalmente em casa, sem nem poder ir no parquinho.

Hoje, dia 1 de fevereiro, a Lara voltou pra escola e eu imediatamente já arrumei a bagunça que estava na sala nas duas últimas semanas. Ela não tem muitos brinquedos, mas os que tem estavam constantemente espalhados pelo chão, o tempo todo.

E o pior são as pecinhas e miniaturas, que ocupam todo e qualquer espaço existente. É um bloquinho no chão da cozinha, um bichinho embaixo do sofá, uma peça de quebra-cabeça na mesa, aí vai multiplicando isso por dez, cem, mil… não tem fim, o número de pecinhas que uma criança possui é infinito.

Essa parte toda foi cansativa, mas conseguimos levar relativamente bem. Talvez ela tenha assistido mais televisão do que eu gostaria, mas a gente fez o que deu pra sobreviver.

O que não conseguimos superar ainda foi o fato de que pegamos covid NO PIOR MOMENTO POSSÍVEL. Você acha que isso não existe, né? Que qualquer momento seria o pior? Deixa eu te contar.

Chegamos aqui em outubro de 2020, com o meu visto de empreendedor. Em novembro de 2020 eu fui ao SEF, órgão de imigração, para tirar minha residência. Desde então estamos tentando marcar para que Paulo Eduardo e Lara possam tirar a residência deles e regularizar a situação no país.

Nada disso é feito eletronicamente, é tudo à moda antiga. Você liga para um número, fala com uma pessoa, a pessoa consulta um calendário e marca uma data para você ir lá pessoalmente levar seus documentos.

Porém, não existe eficiência e nem organização nesse processo. Você leva umas duas horas para conseguir cair na espera, mais uma meia hora até alguém te atender. Você fala pra pessoa que quer fazer reagrupamento familiar e em 99,9% das vezes ela vai te dizer que não tem vaga e tem que continuar tentando.

Foi um ano assim, de novembro de 2020 a novembro de 2021, tentando marcar esse negócio. Não consigo calcular quantas horas gastamos no telefone com isso. Até que, com o saco pra lá de cheio, decidimos pagar uma empresa para ligar e fazer essa marcação. Por sorte, justamente nessa época o SEF avisou que abriria novas vagas para reagrupamento e em dezembro eles conseguiram marcar para nós. Iríamos no dia 24/01.

Se você ainda não fez os cálculos eu faço para você, foi em uma segunda-feira em que nós três estávamos em isolamento e não podíamos sair de casa.

Sim, isso aconteceu. Perdemos o horário que demoramos um ano e um mês para marcar. Agora estamos de volta ao telefone, tentando um novo horário, que no momento depende de desistências, sem previsões.

E assim iniciamos o nosso ano de 2022, com força total. Com covid e mais perrengues de imigrante. Mas não podemos reclamar, pois não tivemos sintomas graves e nem desenvolvemos problemas de longo prazo. E quanto ao reagrupamento familiar, eu continuo dizendo, aqui tudo dá errado antes de dar certo.

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