A casa da tia Dina

Eu sou Dina e sou tia, mas nesse caso a história não é sobre mim, é sobre a minha família, os Gattai e sobre como a tia Dina, mesmo tendo falecido há quase 60 anos, conseguiu reunir um número impressionante de familiares, muitos dos quais nem se conhecem.

Sempre tive muito orgulho de ser parente da Zélia Gattai, ela era minha tia avó. Sempre achei que esse meu gosto pela escrita tem um pouco a ver com ela, mesmo eu não a tendo conhecido pessoalmente.

Em seu livro Città di Roma Zélia conta a história da chegada da minha família ao Brasil. Em resumo, saíram de Florença, na Itália e chegaram no Paraná, onde fundaram a Colônia Cecília, uma colônia experimental socialista em terras doadas pelo Imperador Pedro II. Isso foi por volta do ano de 1890 e, nesse navio estavam meu tataravô Francesco, minha tataravó Argia e seus 5 filhos, entre eles meu bisavô Guerrando Gattai, o mais velho de todos, na época com 10 anos.

Mas eu gostei mesmo de ler foi Anarquistas Graças a Deus, livro em que ela conta uma história um pouco mais recente da, falando do meu avô e da tia Dina. Eu não cheguei a conhecer a tia Dina, mas minha mãe sempre me falou dela com muito carinho, não é por menos que ela me deu o nome de Dina também.

Recentemente, de forma completamente inesperada e eu diria até que aleatória, uma imobiliária entrou em contato com vários membros da família Gattai, querendo comprar uma casa que era tia Dina e que, como ela não teve filhos, agora pertence aos herdeiros indiretos, umas 70 pessoas no total. A tia Dina era irmã do Guerrando, meu bisavô, portanto meu vô Mario Gattai era seu sobrinho, e eu sou uma sobrinha-bisneta, caso isso exista.

Com isso, vários membros da família foram sendo conectados e se conectando entre si, muitos não faziam ideia de que essa casa existia e talvez nem soubessem da existência da tia Dina, alguns outros, como a minha mãe por exemplo, tem memórias daquela casa e daquela parte da família.

Com todas essas pessoas de diferentes vertentes dos Gattai sendo contactadas, foi criado um grupo de whatsapp e várias histórias começaram a surgir, histórias que estão guardadas com cada uma dessas pessoas e que formam a história da família Gattai.

Tudo isso me deu uma vontade imensa de saber mais e escrever alguns desses contos que, se não forem colocados no papel, serão esquecidos assim que os membros da família forem envelhecendo e partindo.

Como tudo isso começou com a casa da tia Dina, a minha mãe me contou um pouco sobre ela. Apesar de ela ter morrido quando a minha mãe, Regina Gattai, tinha apenas 10 anos, ela tem um carinho muito grande por esse tempo em que conviveram.

De acordo com Dona Regina (minha mãe), a tia Dina era uma senhora baixinha, muito ativa e determinada. Cuidava de todo mundo e tinha um amor especial pelo irmão mais velho, meu bisavô Guerrando. Ela gostava de cozinhar e às vezes até deixava minha bisavó um pouco irritada, porque ia na casa deles e queria cozinhar para todos. Vejam vocês, naquela época, lá por 1960, em uma família italiana, cozinhar aquela macarronada para a família era o maior sinal de respeito e hierarquia, mas a tia Dina não parecia se importar.

Ela aliás, parecia ser uma mulher à frente do seu tempo. Casou-se 3 vezes, um escândalo para a época. Seu terceiro e último marido, tio Humberto, era um engenheiro que tinha bastante dinheiro e foi com ele que ela comprou essa casa, que deu início a toda essa história.

Minha mãe me contou que ela se lembra muito de ir na casa deles e que tio Humberto, sendo engenheiro, sempre tinha alguma novidade. E uma das coisas que ele fazia era levar todo mundo para o porão da casa, pedir para todos darem as mãos e ligar um aparelho que fazia com que todos sentissem uma corrente elétrica, uns choques passando entre eles. Algo que eu imagino que não seria feito nos dias de hoje.

Mas o primeiro contato da minha mãe com a tia Dina foi mesmo antes de nascer. Meu vô Mário sempre contava para ela que, quando a minha vó Zenaide entrou em trabalho de parto, eles foram para um hospital na Paulista, perto de onde ficava a casa da tia Dina e que, enquanto minha mãe não nascia, meu vô ficava indo e voltando da casa dela para tomar banho e comer. Não é à toa que eu fui homenageada com esse nome.

Nome esse que eu adoro. Acho que tem tudo a ver comigo e que sempre me trouxe muitas coisas boas nessa vida.

E a história de hoje eu encerro por aqui. O primeiro de muitos contos sobre a vida dos Gattai.

PS. Na foto do post estão meu vô Mario Gattai, seus dois irmãos Alfredo e Arnaldo os três já falecidos e primo Arnaldo, uma enciclopédia viva de histórias dos Gattai

Um comentário sobre “A casa da tia Dina

  1. OBRIGADO PELA FRASE ECICLOPEDIA HUMANA O TIO HUMBERTO ERA ENGENHEIRO ELETRECISTA FORMADO EM MILÃO A TIA DINA COSINHAVA EM UM FOGÃO A CARVÂO ELETRICO KKKK PARA A COMIDA E PRINCIPALMENTE O CAFÉ SAIR MAIS RAPIDO ELE COLOCOU UM VENTILADOR NA BOCA DO FOGÃO E ASIM QUE ELA COLOCAVA OS INGREDIENTES NAS PANELAS E A AGUA PARA COSINHAR E FERVER LIGAVA O VENTILADOR COM OS PES E TUDO SAIA RAPIDINHO ERA SENSÁCIONAL KKKKKKKKKKKK.

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