Memória afetiva e o Starbucks

Todos nós temos memórias afetivas. Aquelas lembranças que surgem por causa de um cheiro, de uma comida, de um lugar ou de qualquer coisa mesmo.

Eu tenho muitas. Aquela música “Right Here Waiting” do Richard Marx, famosa nos anos 1990, me lembra a primeira música lenta que eu dancei, num bailinho (que em Porto Alegre se chamava reunião dançante) na casa de algum colega da escola. Já “More than words” foi a primeira música que eu traduzi logo que comecei a aprender inglês, também nos anos 90.

Limonada me lembra a casa dos meus avós. Eu devia ter uns 4 anos e ficava na casa deles depois do colégio, meu avô tomava uma caipirinha antes do almoço e fazia uma para mim, que na verdade era só limão com açúcar, uma limonada.

Tem alguns cheiros de perfume que me lembram pessoas que eu não vejo há anos, comidas que me lembram lugares que eu só fui uma vez e palavras que me remetem a situações que eu nem sabia que haviam sido importantes pra mim.

Mais recentemente, ontem pra ser mais precisa, eu tive um “Momento Memória Afetiva”. Fui deixar minha mãe aqui no aeroporto de Lisboa e lá tem um Starbucks (não tem muitos aqui em Portugal), então eu decidi comprar um Caramel Macchiato que eu amo.

Levei pro carro e no momento que eu dei o primeiro gole fui tomada por duas memórias fortíssimas e vívidas, de dois momentos muito felizes em que o Starbucks esteve presente na minha vida.

As duas foram nos Estados Unidos, a primeira foi no escritório onde eu trabalhava. Eu não fiz muitos amigos americanos, mas tinha uma mulher que trabalhava comigo que ficou muito minha amiga e, no meu último ano lá, nós criamos uma rotina de chegar todos os dias meia hora mais cedo, passar no Starbucks que tinha no prédio e tomar um café juntas na minha sala antes do trabalho, pra fofocar, contar as coisas que estavam acontecendo e falar besteira. É uma das memórias mais felizes que eu tenho daquele meu tempo lá.

A segunda foi mais ou menos um mês depois que a Lara nasceu. Eu estava no puerpério, cansada e deprimida de ficar em casa, comecei a tirar leite com a bomba para guardar e, assim que Paulo Eduardo chegava do trabalho, eu saía para dar uma volta. As vezes eu ia na Target, as vezes no Walmart, as vezes em algum parque. Nunca comprava nada nem fazia nada específico, eu só precisava sair e ficar um pouco sozinha. Muitos desses passeios, que duravam uma hora mais ou menos, terminavam no Starbucks. E eu lembro de sentar na mesinha e pensar em como aquele café era especial naquele momento.

Deixar minha mãe no aeroporto me deixou triste, claro, mas essas duas memórias afetivas me trouxeram um quentinho no coração, uma certa nostalgia feliz, de dois momentos que nunca mais vão acontecer, mas que eu sempre posso trazer de volta com um Caramel Macchiato.

E se tem alguma coisa que te traz memórias afetivas, eu adoraria saber 🙂

2 comentários sobre “Memória afetiva e o Starbucks

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