Da série dates ruins – Afundando num double date

Hoje estava ouvindo o podcast “É nóia minha”, o tema era Dates Ruins e eram áudios da audiência contando histórias engraçadas de encontros bem péssimos. Fiquei pensando se eu tinha alguma história pra contar e algumas poucas me vieram à cabeça.

Que eu me lembre, eu nunca fui a um encontro com alguém que eu tenha conhecido online. Digo online porque eu sou do tempo das salas de bate papo do UOL e do ICQ, essas coisas de aplicativo eu nunca usei, até porque quando isso começou a ficar popular eu já estava namorando meu atual marido e acabei nunca precisando.

Também nunca fui em muitos dates com totais desconhecidos, eu normalmente saía com homens por indicação de algum amigo ou amiga, então nunca era um total estranho (apesar de alguns serem bem estranhos), mas esse double date foi uma exceção.

Eu fiz faculdade na FAAP. Foram quatro bons anos em que eu me diverti mais do que eu estudei. Apesar de eu não ter afinidade com muita gente por lá, eu fiz alguns poucos porém bons amigos, pessoas por quem eu tenho muito carinho.

Uma dessas pessoas era a Bia. A Bia era fantástica, ela era de uma família muito rica que vivia em alguma cidade do interior de SP que eu não me lembro agora, por isso ela morava sozinha em um apartamento daqueles grandes e antigos ali na região do Pacaembu. Como eu morava na zona sul, muitas das vezes que eu saía com o pessoal da faculdade eu dormia na casa da Bia para não ter que dirigir.

Nesse dia específico a Bia e eu saímos da faculdade e fomos tomar uma cerveja em um bar que tinha por ali. Se eu não me engano o lugar chamava Sotão, porque eram algumas mesinhas no sotão de uma casa. Era um botequinho mesmo, frequentado por jovens da região.

Estávamos felizes tomando a nossa cervejinha quando chegaram dois caras bem bonitos e perguntaram se podiam sentar com a gente. Ficamos conversando e tomando cerveja um tempão até que o dono do bar avisou que eles estavam fechando.

Um dos rapazes falou que morava ali perto, e que na casa dele tinha um cinema e que a gente podia assistir um filme. Não estranhamos nem um pouco, naquela região tem muitas mansões e muita gente rica. Fomos.

A Bia tava de carro, fomos no carro dela seguindo os rapazes que estavam em um outro carro. Com certeza era um carrão, mas eu não entendo nada disso e nem prestei atenção. Dirigimos por uns 10 minutos e chegamos no estacionamento da casa do cara. Sim, estacionamento, a casa dele tinha um estacionamento.

Entramos na casa e passamos pelo elegante jardim de inverno, que consistia em um jardim, embaixo de uma clarabóia, com um laguinho e uma passarela no meio por onde a gente andava para chegar na sala, ou em uma das salas devo dizer.

Chegando na sala entramos em um elevador que nos levou para o andar debaixo onde a porta abriu diretamente no cinema. Não era mentira e não era exagero. Eram várias poltronas vermelhas viradas para um telão gigante e um bar no fundo da sala.

Assistimos ao filme, cada uma ficou com o seu respectivo rapaz. A Bia ficou com o dono da casa, ela tinha ficado apaixonada por ele já no bar. Eu fiquei com o amigo, cuja casa eu nunca conheci, mas imagino que não fosse muito diferente dessa.

Quase no fim do filme começamos a ouvir um barulho de pessoas conversando, imediatamente o dono da casa gritou “meus pais chegaram, se escondam, se escondam” e começou a empurrar a gente para debaixo das cadeiras. Ficamos as duas encolhidas embaixo das cadeiras enquanto o rapaz explicava para os pais que tinha vindo assistir um filme com o amigo. Parece que os pais acreditaram, deram boa noite e foram embora.

Agora vejam vocês, estávamos na faculdade, devíamos ter uns 20 anos (nós e os rapazes), não tinha cabimento esconder as amigas dos pais, muito menos embaixo das cadeiras. Ficamos putas. Assim que pudemos sair, avisamos que estávamos indo embora.

Os caras ainda tentaram se explicar, mas não teve conversa, entramos no elevador pisando firme, descemos na sala e fomos andando rápido para a porta, com os dois atrás da gente tentando nos convencer a ficar.

Quando chegamos no caminho que passava em cima do lago do jardim de inverno ouvimos uma voz dizendo “eu achei que vocês estavam sozinhos”. Era o pai do fulano. Nos pegou no flagra.

A Bia, na hora do desespero, gritou “corre”, mas no que ela começou a correr, ela tropeçou em uma das pedras que enfeitavam o caminho e caiu dentro do laguinho. Num reflexo maluco de tentar segurá-la, eu peguei na gola da blusa dela e caí também. Não só caí como rasguei a blusa que ela estava usando.

Nesse momento saímos as duas do laguinho, encharcadas, a Bia semi nua, nos despedimos dos rapazes e dos pais e fomos embora.

Chegamos no carro e a Bia percebeu que tinha esquecido a bolsa no cinema. Voltamos, tocamos a campainha, e com a cabeça baixa e a vergonha bem alta, ela pediu ao pai do rapaz – que atendeu a porta – que pegasse a bolsa dela.

Nunca mais encontramos esses moços, nunca mais voltamos naquele bar. Saudades da Bia.

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