Na hora a gente se pergunta por que, mas quando acaba fica feliz

Quantas coisas não cabem nessa frase, não é verdade? Eu tenho muitos exemplos, ir pra academia, acordar mais cedo para meditar, lavar a louça antes de dormir, fazer um novo treinamento online ou arrumar a cama todo dia de manhã.

Eu imagino que você também tenha algo que decide fazer por impulso ou porque pareceu super legal, quando chega na hora você fica se perguntando “meu Deus do céu porque eu fui inventar isso”, mas quando acaba fica extremamante feliz de ter feito aquilo, seja lá o que for.

Essa minha história de hoje é sobre um desses momentos. Aconteceu em 2014, quando eu trabalhava em RH e, entre outras coisas, cuidava de Responsabilidade Social.

Nessa época eu queria dar uma acelerada do programa de responsabilidade social, então queria fazer algo de grande impacto social e que gerasse burburinho na empresa. Botei algumas ideias no papel e me decidi por levar voluntários da empresa para construírem casas com a ONG “Um Teto para meu País”.

Consegui aprovação da minha chefe, a grana com o CFO, os funcionários ficaram animados e conseguimos o número de voluntários necessário. Trabalhei com o marketing para fazer um kit super legal para cada funcionário e organizei a coisa toda.

O esquema era pesado. Um ônibus viria nos buscar na porta da empresa na sexta a noite, a gente iria encontrar o pessoal da ONG e outros muitos voluntários de outras empresas em um ginásio, eles dariam todas as orientações e nós seguiríamos para Guarulhos, para o nosso alojamento, que seria em uma escola/academia dentro da comunidade onde as casas seriam construídas.

Voluntários da empresa
Todo mundo no ginásio recebendo as orientações

Alojamento na academia

No dia seguinte acordamos super cedo e fomos para a comunidade. O pessoal da ONG nos separou em grupos e cada grupo tinha a missão de construir uma casa em 2 dias. As casas eram super simples, dois cômodos, feitas de madeira, mais ou menos como um lego, mas mesmo assim era muito trabalho.

E choveu. Porque sempre que tem alguma atividade ao ar livre que envolva lama, chove. Mas tudo bem porque tava todo mundo cheio de energia, doido pra começar logo.

Eu e a turma da empresa que estava no meu grupo com o kit que eu tinha feito, caixa de ferramentas, boné, martelo e água.
Chegando na comunidade

Chegamos no local onde a casa ia ser construída e não tinha nada, era um terreno vazio. Não sei exatamente o que eu estava esperando, mas certamente não era um terreno vazio. Achei que alguém já iria ter feito uma preparação do solo ou algo assim, mas nada.

Não vou entrar nos detalhes, mas as 10 da manhã eu já não aguentava mais. A minha sorte é que eu estava responsável por tirar as fotos para a empresa, então de tempos em tempos eu saía para fotografar os outros funcionários que estavam construindo outras casas e conseguia descansar um pouco.

Foi um dia inteiro de trabalho. Cada pessoa que vai ganhar uma casa precisa contribuir financeiramente, com um valor super baixo, acho que na época era 200 reais e precisa participar da construção, pois essa é a melhor forma de fazê-los responsáveis pela manutenção depois.

As histórias claro, são super tristes, mas estava todo mundo animado durante a construção, porque aquela é uma maneira bem tangível de você ver o seu trabalho impactando a vida de alguém.

Já quase de noite, exaustos, voltamos para o alojamento, comemos e fomos dormir. Eu na verdade tive que ficar ainda acordada até mais tarde porque uma das voluntárias da empresa não estava se sentindo bem, nem física nem emocionalmente, e queria voltar para casa. Eu chamei um táxi para ela, mas até o táxi chegar a noite, em cima de um morro, em Guarulhos, demorou. Mas chegou, ela foi para casa, me mandou mensagem para avisar que tinha chegado bem e eu consegui ir dormir.

No dia seguinte acordamos cedo de novo e voltamos para a comunidade. Mas o segundo dia foi menos exaustivo, as estruturas já estavam prontas, faltava montar a casa, o lego.

No fim do domingo todas as casas haviam sido finalizadas e várias famílias ganharam um lar.

A parte mais legal foi poder interagir com a comunidade. As pessoas queriam conversar, as crianças queriam brincar, contar histórias, mostrar seus brinquedos e eu, e acho que o resto dos voluntários também, adorei.

E no final a ONG ainda organiza uma festinhas de inauguração das casas.

Essa é uma das lembranças felizes que eu tenho dos meus tempos de RH.

Em vários momentos do fim de semana eu me arrependi profundamente de ter tido aquela ideia. Ficava pensando o que eu estaria fazendo se estivesse em casa no sábado a tarde, ou na cervejinha do domingo. Mas no ônibus de volta deu aquela sensação de dever cumprido, de que valeu a pena. A mesma sensação de quando eu decido trocar a batata frita por uma couve refogada, só que com mais propósito e importância.

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