Se juram que é verdade, é mentira

Chegamos no Vietnam lá por fevereiro de 2010, quando o país celebrava o ano novo chinês daquele que seria o ano do tigre. Nessa viagem eu estava com meus amigos chilenos de todas as horas Paulina, Claudia e Cristián. Essa viagem começou na Tailândia, cruzamos de barco pelo Laos (já contei aqui e aqui), pegamos um avião para o Vietnam e terminamos no Camboja.

Nossa passagem pelo Laos foi super tranquila, foi fácil de viajar e as pessoas eram maravilhosas. No Vietnam o que reina é o caos. É muita gente, muito trânsito e muita confusão. A gente conhecia muito pouco da cultura do Vietnam, sabíamos o que a gente aprendeu nas aulas de história, mas fora isso sabíamos quase nada.

Começamos nossa viagem por Hanoi, a atual capital do país. Cidade grande, enorme aliás, cheia de gente, carros e turistas, mas muito diferente de tudo que a gente já tinha visto.

O que não fazíamos ideia é que no Vietnam as pessoas mentem o tempo todo. Não sei se todas as pessoas, mas as pessoas que trabalham e interagem com turistas mentem muito. Compramos ingresso para um teatro de marionetes, chegando lá eles tinham nos dado ingresso para outra coisa. Compramos um passeio para umas cavernas, chegando lá estávamos em outro lugar e por aí vai. No começo a gente achou que as pessoas não nos entendiam, mas conversando com outros turistas descobrimos que é assim mesmo e que não tem muito o que fazer porque tudo está escrito em vietnamita.

E foi assim que chegamos na nossa próxima parada. Fomos na estação de ônibus e pedimos uma passagem para Hoi An, cidade mais ao sul. Eles nos deram uma passagem para um ônibus noturno, com camas. Confirmamos umas três vezes se o ônibus nos deixaria em Hoi An e o atendente nos disse que sim. Naquela noite chegamos na estação e antes de entrar no ônibus perguntamos ao motorista se iríamos direto para Hoi An e ele disse que sim.

O ônibus noturno
Nosso cantinho

Nos ajeitamos na nossa cama, dormimos e logo de manhã o ônibus parou e todo mundo desceu. O motorista nos chamou e disse que havíamos chegado. Pegamos nossas mochilas, descemos e fomos procurar um lugar para tomar café da manhã. Chegando nesse lugar descobrimos que estávamos em uma cidade chamada Hue, a quatro horas de Hoi An e que não há ônibus direto de Hanoi para Hoi An, ou seja, todo mundo mentiu para nós.

Ficamos putos, claro, mas essa acabou sendo uma das melhores partes da viagem e nem estava no nosso plano. Hue é um patrimônio cultural da Unesco, foi lar de muitas dinastias chinesas e têm ruinas do século 4 AC. Decidimos ficar um dia ali para conhecer a cidadela, onde fica a Cidade Proibida, antigo lar dos Imperadores. Melhor decisão da viagem.

De lá compramos uma passagem de ônibus para Hoi An. Confirmamos mil vezes, quase fizemos o cara assinar um contrato dizendo que o ônibus ia nos levar para lá. Chegamos na estação uma meia hora antes da partida, estávamos em quatro e o ônibus só tinha mais dois lugares vagos. A gente tinha as passagens com o número dos assentos, mas não tinha lugar pra todo mundo.

Começou mais uma discussão, aquela confusão que a gente já tava acostumado, até que entramos os quatro ônibus e falamos “a gente vai, vocês que se virem”. Nisso nós vimos que os dois pares de assentos da frente de cada lado estavam vazios, cercados por uma fita. Perguntamos o porque e descobrimos que eles reservam aqueles assentos para as pessoas que querem viajar de última hora e estão dispostas a pagar mais caro. Não deu outra, arrancamos a fita e sentamos. Teve mais confusão, barraco e gritaria, mas conseguimos viajar e chegar sem maiores discórdias.

Hoi An é uma cidade maravilhosa, talvez a minha preferida do Vietnam. A cidade é cheia de artesãos que fazem roupas, sapatos, bolsas e qualquer outra coisa sob medida para os turistas. Mas o destaque era a comida, uma das melhores da viagem inteira.

Em Hoi An, Paulina e eu nos despedimos de Cristián e Claudia e seguimos para uma cidade chamada Nha Trang, no litoral, onde eu faria meu curso de mergulho com cilindro. Por incrível que pareça, essa viagem aconteceu sem grandes emoções.

Nha Trang foi demais, porém Paulina ficou meio doente e eu acabei fazendo várias coisas sozinha, mas mesmo assim aproveitamos muito e eu concluí meu curso de mergulho que eu tanto queria.

Uma das muitas massagens que fiz durante essa viagem

Frutos do mar no vapor
Paulina ostentando
Eu e meu instrutor de mergulho, um irlandês que eu tenho quase certeza que bebia antes de mergulhar

Saindo de lá seguimos para Ho Chi Minh, antigamente conhecida como Saigon. Gente, que loucura de lugar, nunca vi tanta moto na minha vida! É uma cidade grande e relativamente moderna.

Lá existe uma rede de túneis que os vietnamitas usavam para se esconder dos americanos durante a guerra do Vietnam. É uma coisa impressionante. Como eles são normalmente menores do que os brasileiros, os túneis pareceram muito pequenos e claustrofóbicos para mim.

Armadilha
Eles entravam por esse buraquinho!

E apesar de toda a loucura e de todas as mentiras, o Vietnam foi um dos países que mais me surpreendeu, talvez porque eu não sabia o que esperar. É um país que se reconstruiu depois de uma guerra terrível, mas que ainda vive as marcas daquela história, principalmente em Ho Chi Minh. Se você tiver a oportunidade, visite.

Nessa viagem eu também li um livro que me marcou demais, que conta a história da guerra do Vietnam pelos olhos de uma mulher vietnamita que foi queimada quando era uma menina e cuja foto saiu em todos os jornais. Ela hoje vive no Canadá. Recomendo muito a leitura.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s