Como não encontrar um grande amor

Sério, essa receitinha é infalível!

Não sei se vocês já ouviram falar da mítica cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Digo mítica porque apesar de Cruzeiro ser uma cidade comum de interior, com uns 100 mil habitantes e nada em especial, todo mundo parecer conhecer alguém de Cruzeiro.

Cruzeiro é cidade natal de algumas celebridades como árbitro de futebol Luiz Flavio de Oliveira, o comentarista esportivo Paulo César de Oliveira, a cantora Vanusa e o Rodolfo do ET e Rodolfo (esse último talvez esteja mais para uma vergonha do que uma celebridade local).

Meu vínculo com Cruzeiro é familiar, grande parte da família do meu pai é de lá. E eu, que morei minha adolescência em São Paulo, ia para Cruzeiro com frequência, porque para uma menina da cidade grande, era um sonho viver aquela liberdade de cidade de interior.

A cidade foi palco de excelentes histórias da minha juventude, algumas que eu talvez crie coragem para contar mais para frente, mas a história de hoje é sobre pouco amor e muita estupidez.

Como eu disse, tenho uma parentada por lá. Mas as personagens dessa história são a minha tia Karina, irmã mais nova do meu pai, que tem apenas três anos a mais que eu e a minha prima Fabiana, um ano mais nova que eu.

Nesse dia específico, um sábado lá pelo ano de 1995, estávamos na casa da minha vó, super animadas para o baile que aconteceria a noite. Sim, porque em Cruzeiro aconteciam bailes, com bandas de baile e tudo, era demais. Iam desde crianças até os mais idosos, famílias inteiras se reuniam para curtir os bailes da cidade. Eu amava aquilo, em São Paulo não tinha nada parecido. Lá você encontrava o padeiro, o filho do homem da loja de pássaros, a mulher que vendia pipoca na frente do cinema, aquele seu tio avô que você não via há anos, era uma grande festa.

Para nós, que tínhamos uns 16 anos, era também uma oportunidade para paquerar muito. Os rapazes eram quase sempre os mesmos, mas a gente sempre tinha aquela esperança de que alguém ia levar um amigo de fora, isso quando a gente não estava gostando de um dos habitantes locais, o que acontecia com frequência.

Voltando para a casa da minha vó, estávamos super animadas, já com as roupas separadas, só esperando dar a hora de se arrumar quando achamos uma revista, talvez Capricho ou outra do gênero, que estava circulando por lá (naquela época não tinha internet). A tal revista trazia uma simpatia infalível para encontrar um namorado naquele mesmo dia, sim a simpatia era bem específica. Como já estávamos há algum tempo na AMEM (Associação das Mulheres Encalhadas Mesmo), tivemos certeza que aquilo era um sinal do universo e que aquele seria o dia que a gente iria desencalhar.

Eu não lembro da simpatia exata, mas lembro que a gente tinha que botar uma canela em pau, pétalas de rosa e pimenta em água fervente, deixar esfriar e tomar, sempre mentalizando o amor, claro. Canela e pimenta a gente achou no armário, as pétalas de rosa a gente pegou do jardim da minha vó.

Até hoje eu não entendo como a gente achou que aquilo era uma boa ideia, mas estávamos tão animadas com a ideia de achar um amor no baile que tomamos a poção.

Acho que não deu 5 minutos pra todo mundo começar a passar mal. Mas mal mesmo, de se contorcer de dor de barriga e sair correndo brigando, porque a casa só tinha dois banheiros.

Nesse dia não conseguimos ir ao baile e não encontramos o nosso grande amor. Eu queria poder terminar a história com um “mas no dia seguinte três caras lindos vieram ver porque a gente não tinha ido ao baile e tivemos um final feliz”, mas não, ninguém apareceu, a gente passou uma noite dos infernos e ainda perdemos o maior baile de todos os tempos.

Por sorte nós aprendemos a lição e passamos a fazer somente simpatias que não envolvessem ingerir alguma coisa.

E caso você tenha uma simpatia infalível para encontrar um grande amor, por favor fale com a minha prima Fabiana, ela mandou dizer que continua procurando.

Nessa época não existia foto digital e os meus álbuns de fotos estão na casa da minha mãe no Brasil, então essas são as únicas fotos nossas juntas que eu consegui encontrar.

Fabiana, tia Karina e eu

Eu de diaba, Fabiana de índia e tia Karina de noite

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