O pedido de casamento mais adequado

Essa história é sobre como eu mesma fui pedida em casamento pelo meu atual e único marido Paulo Eduardo.

Eu nunca sonhei em casar. Nunca me imaginei vestida de branco entrando numa igreja lotada. O branco, que representa a pureza e a virgindade, seria hipocrisia. A igreja seria a primeira vez em muitos anos. Também tenho trauma de alguns casamentos que eu fui em que o padre, pastor, ministro ou seja lá quem era que estiva celebrando aquilo, disse coisas como “a mulher tem que ser fiel ao homem” (mas não disse o contrário), “esse casamento não poderá ser quebrado diante dos olhos Deus” (ah tá) e por aí vai.

Festa sim eu gosto. Mas gosto de festa em que as pessoas fiquem à vontade, não festas em que todo mundo tem que se comportar. Gosto de bagunça, todo mundo vestindo o que quer, comendo com a mão e se divertindo a valer. O meu maior bode de festas de casamento é que os noivos gastam a maior grana, quase não aproveitam e sempre tem gente que depois fala mal. Então festa de casamento eu também nunca quis.

Mas no ano de 2015, Paulo Eduardo e eu estávamos já morando juntos, pois ele havia, sem o meu conhecimento, durante o período dois meses, se alojado no meu apartamento e quando eu percebi ele já morava lá, surgiu a oportunidade de eu ser transferida para os Estados Unidos.

Conversando com os advogados da empresa (na verdade era um estagiário de direito, mas sempre quis falar “conversando com os advogados da empresa”) eles me disseram que para PE ter um visto de trabalho seria mais fácil e rápido se a gente fosse casado. Decidimos então casar. Isso era Janeiro, casaríamos lá pelo meio do ano.

E foi assim, sem romance nenhum que ficamos noivos, que é outra coisa que eu não entendo. Ou a pessoa casa ou não casa, que coisa mais chata essa de ficar noivo, é só pra gastar mais dinheiro com celebração. Mas enfim, no carnaval desse ano fomos para o Jalapão e Paulo Eduardo, tentando manter um mínimo de romance vivo, me deu um anel de capim dourado, feito pelos índios de lá. Até então eu nunca tinha usado anel, me dá aflição coisas nos dedos, então guardei o anel.

Certo dia, era uma sexta-feira chuvosa, meu irmão me ligou e perguntou se eu poderia passar na casa dele. Eu trabalhava a 5 minutos da casa dele e, em uma sexta com chuva, a umas 2 horas da minha casa, achei ótima a ideia e aceitei. Liguei para Paulo Eduardo e avisei que chegaria mais tarde, ele disse que tudo bem, que ia fazer alguma coisa para jantar.

Cheguei na casa do meu irmão e eles já tinham pedido uma pizza. Eu não nego uma pizza. E ainda vinha acompanhada de uma taça de vinho. Eu não nego uma taça de vinho. Sentamos e, antes de eu dar o primeiro gole, minha cunhada levantou e falou “mas hoje eu não vou poder beber” e pôs a mão na barriga. Pronto, chorei, gritei, virei a taça de vinho, nos abraçamos e foi aquela festa. Liguei para Paulo Eduardo para contarmos a novidade e falei que ficaria mais um pouco. Ele disse que estava me esperando.

Fui ficando na casa do meu irmão e PE ficou me mandando mensagens, perguntando que horas eu ia chegar. Se eu não tivesse bebido uma garrafa de vinho eu teria achado estranho, porque Paulo Eduardo não é de ficar assim no pé, mas eu nem dei bola.

Lá pelas tantas, depois de muito vinho e pizza, eu chamei o Uber e fui para casa. Chegando em casa estava tudo decorado, velas para todo lado e uma garrafa de champagne.

De acordo com meu agora marido, nesse dia ele me pediu em casamento. Eu não me lembro. Eu lembro das velas, da decoração e do champagne, mas não lembro do pedido e de nada que aconteceu até eu acordar no dia seguinte com o anel do Jalapão (que eu achei que tinha perdido) no dedo.

Como castigo, até hoje Paulo Eduardo não me conta como foi o pedido. Eu não sei nem se eu aceitei!

Mas casamos. Aliás tivemos 3 casamentos. Casamos no cartório de manhã. A tarde teve uma festa em um rodízio de espetinho com bebida a vontade e muita gente de bermuda e chinelo. E no fim de semana seguinte teve um churrasco em um sítio em Cruzeiro, onde mora a família do meu pai.

Casamento no cartório
Buquê de Santo Antônio pra ajudar as amigas solteiras
Bolo de churros
Churrasco em Cruzeiro (Paulo Eduardo nem está nas fotos)

Quando eu penso na nossa história, no nosso jeito e no nosso casamento, eu tenho certeza que esse foi o pedido mais perfeito que ele poderia ter feito. Tão perfeito que rendeu até um post nesse blog. Eu não faria diferente e tenho certeza que ele também não.

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