Crianças e cachorros

Vou falar da minha experiência sobre criar uma criança junto com dois cachorros, que obviamente é diferente da experiência de outras pessoas que têm crianças e cachorros. Mas esse tema me veio à cabeça depois de eu dar uma olhada no meu Instagram e ver quantas fotos eu posto da Lara com os nossos doguinhos, todas fofas, claro.

Começando do começo, vou apresentar os cachorros.

Primeiro veio o Ralph, adotado em Julho de 2016 com 6 meses. Paulo Eduardo pegou ele no abrigo e foi me buscar no trabalho. Ele veio todo encolhido no banco de trás e até hoje ele não é muito fã de andar de carro. Desde o primeiro dia ele sempre foi um cão super “gente boa”. No começo era meio assustado, não subia escada sozinho, não pisava fora do carpete e várias outras manias que a gente não sabe de onde vieram, mas depois de uma semana ele já estava se sentindo em casa, se esparramando no sofá e destruindo muitas almofadas.

Sempre felizão

A Mali veio dois anos depois, meio que por acaso. Na época a minha chefe estava querendo adotar um cachorro e me pediu pra olhar o site do abrigo com ela, na hora eu me apaixonei por uma cadela, enchi o saco do Paulo Eduardo e ele concordou e foi lá buscá-la, mas chegando lá ela não estava mais para a adoção. Já na saída, ele viu a Mali deitadinha com aquela carinha mais linda que só ela tem, não aguentou e acabamos adotando ela.

Mali no abrigo, não dava para resistir

Eu que trouxe ela para casa e assim que abri a porta do carro ela já fugiu por um vão mínimo embaixo da porta da garagem que estava terminando de fechar, mas eu consegui pegá-la minutos depois. Apresentamos ela pro Ralph e ele, super “gente boa” já começou a brincar com ela e não parou mais, até o segundo dia, quando ele começou a achar estranho ela não ir mais embora… mas no fim deu tudo certo e eles não se desgrudam.

Quando adotamos a Mali ela já tinha 2 anos e tinha algumas cicatrizes que nós não sabemos de onde vieram, mas temos quase certeza de que ela vivia em alguma situação de abuso (cai uma lágrima). Ela tem medo de tudo e de todos. O problema é que, assim como os humanos, em situação de medo os cachorros ou fogem ou atacam e a Mali ataca, então desde o começo a gente tem que tomar cuidado com outras pessoas. Ela sempre acabou de acostumando a (quase) todas as visitas, mas ela tem um pavor horroroso de homens de barba. A coisa com a Mali é que ela tem um instinto de proteção muito grande em relação a nós (mesmo tendo só 10kg), então ela não gosta que ninguém se aproxime da gente. Mas se alguém entra na nossa casa quando a gente não está, ela se esconde ou faz amizade (como aconteceu algumas vezes com alguns cuidadores que arrumamos).

Sim, com essa carinha…

Quando eu fiquei grávida, a Mali sempre foi a nossa preocupação número 1. Passamos a gravidez inteira pensando em como iríamos manter a bebê longe dela. Mas quando eu estava com uns 8 ou 9 meses decidimos contratar um treinador para nos ajudar a tentar fazer uma adaptção da Mali (eles já tinham passado por 2 outros treinamentos…). O cara veio, nos ensinou as técnicas e nós começamos a treinar.

Segredo: Eu tinha biscoitinhos nas mãos 🙂

Enquanto isso já estávamos deixando o carrinho da Lara na sala há algumas semanas e aleatoriamente colocávamos som de bebê chorando no celular, para eles irem se acostumando. Nenhum dos cachorros se abalou.

Adiantando a história para quando a Lara nasceu. Decidimos mantê-la longe dos cachorros pelos três primeiros meses, davámos peças de roupa dela para eles cheirarem, eles viam ela no nosso colo, mas não colocávamos ela perto deles. Depois dos três meses começamos a aproximação e, para nossa surpresa, a Mali ficou muito mais curiosa do que o Ralph. Ela chegava perto, cheirava, tentava brincar, sentava do lado, enquanto o Ralph saía da sala quando a gente trazia ela. O mais interessante é que a Lara nunca acordou com o latido dos cachorros, dizem que eles já vão se acostumando na barriga, não sei se é verdade, mas ela nunca se importunou.

Bom, o tempo foi passando e os três foram se acostumando a viver juntos. A Lara começou a engatinhar, depois a andar e os dois cachorros aguentaram bem todos os puxões de rabo e pequenos tapinhas (que a Lara acha que é carinho).

Hoje vivemos todos em harmonia. A Mali está sempre grudada na Lara, sempre andando atrás dela. O Ralph prefere manter sua distância, mas não se abala quando ela chega perto. De vez em quando eles rosnam para ela, mas nada sério.

Mas tem a parte difícil. Cachorro dá muito trabalho. Criança dá muito trabalho. Os cachorros trazem areia para casa, fazem cocô onde ela quer brincar de pazinha, querem roubar as coisas da mão dela, comem os brinquedos que ficam no chão e também querem a nossa atenção. As vezes eu estou super estressada, cansada e esses cachorros começam a latir para uma lagartixa que passou do outro lado da rua, me dá um nervoso. Mas a gente se ajeita.

Quando viemos dos Estados Unidos para Portugal, a viagem dos cachorros custou 3 vezes mais do que a de nós três. Deixá-los nunca foi uma possibilidade, aqui a gente acredita que, a partir do momento que nos responsabilizamos pela vida deles, não tem volta.

Mas outro dia estava pensando em tudo de positivo que esse relacionamento de cachorro e criança está trazendo para a Lara. Ela têm quase um ano e meio e já está aprendendo a respeitar limites e espaços, que existem consequências para os atos dela, a ter empatia, mas principalmente ela está aprendendo sobre consentimento. Ela entende que ela não pode fazer algo que eles não queiram, como puxar o rabo por exemplo, e que cada cachorro gosta e aceita carinhos diferentes. Tão pequena e ela já está entendendo que ninguém é igual e que precisamos respeitar os limites dos outros. Agora são cachorros, mas eu espero que ela leve esse aprendizado para os contatos sociais dela também, porque isso não tem preço.

Eu não faria nada diferente, aliás se pudesse adotava mais alguns cachorros. Se você está em dúvida, pense bem, e se decidir que é a hora de ter um pet, adote, não compre.

E se adotar, tire e poste muitas fotos, porque as fotos ficam maravilhosas mesmo 🙂

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