Quem nunca riu fora de hora que atire a primeira pedra

História dos tempos de RH.

Eu estava trabalhando em uma empresa que tinha decidido terceirizar seu call center. Foram selecionadas três grandes empresas de terceirização e após uma avaliação escolheríamos qual ficaria com a nossa operação. Como eu era Gerente de RH dessa turma, participaria das reuniões de avaliação com as empresas, junto com a Diretora da área e mais algumas pessoas.

As duas primeiras reuniões aconteceram sem grandes eventos. Eles apresentavam sua empresa, mostravam como funcionava, faziam aquela propaganda toda e no final respondiam as nossas perguntas.

Aí chegou a terceira empresa. Achamos estranho porque eles tinham trazido mais que o dobro de pessoas que as outras. Tivemos que encher a sala de cadeiras, não cabia todo mundo em volta da mesa, aquela coisa. Eles tinham trazido até duas pessoas do RH, as outras só tinham trazido operações e comercial.

Mas conseguimos organizar a sala de um jeito que deu pra todo mundo sentar, meio amontoados, mas sentamos, o nosso pessoal em uma lateral da mesa e o pessoal deles ocupando todo o resto do lugar. Começa aquela coisa de todo mundo se apresentar, que obviamente demorou infinito porque eram muitas pessoas desnecessárias na sala, e começamos a reunião.

Cada reunião demorava em média umas três hora. Passada a primeira meia hora eu comecei a notar o pessoal do outro lado da sala se mexendo e se olhando, mas tudo muito discreto. Dei uma olhada de canto de olho para a nossa diretora de operações que era (e é) minha amiga e ela também percebeu, mas não sabia o que tinha acontecido. Continuamos.

Passados alguns segundos chegou na gente um cheiro de peido tão forte que eu até tossi. Não sei nem se foi pelo cheiro ou se foi pelo susto, eu não esperava que alguém ia ter coragem de peidar naquela sala fechada lotada de gente. Mas eu logo imaginei que das duas uma: foi um acidente ou a pessoa achou que ia ser só um pedinho inocente… quem nunca, né?

Quando olhei de novo pro outro lado da mesa eu vi que o cara do RH deles tinha ficado meio isolado, todo mundo estava se afastando dele. Fiquei com muita pena, tentei pensar em algo pra salvar o cara, mas não me veio nada à cabeça, quando de repente, o cara que tava apresentando falou “tá um cheiro estranho aqui, abre um pouco a porta favor”.

Infelizmente o que eu mais temia aconteceu, senti aquele ataque de riso subindo pra garganta e eu sabia que não ia dar para controlar. Saí quase pulando por cima da mesa falando “deixa que eu abro, eu preciso ir no banheiro mesmo”, mas fui falando e rindo e pulando por cima das pernas das pessoas, foi horrível. Fiquei uns 5 minutos me recuperando no banheiro e, quando eu voltei, descobri que metade da sala também tinha saído e eles tinham decidido fazer um intervalo.

Voltamos para a sala, o fantasma do futum ainda rondava a sala, mas não era nada insuportável, decidimos continuar. O cara do RH não voltou, mas por educação ninguém tocou no assunto. Até hoje eu penso naquele cara, podia ter sido eu ou qualquer outra pessoa, ainda bem que não foi, mas fico com dó porque eu tenho certeza que eu não sou a única a contar essa história por aí.

Já quase no fim da reunião, naquele momento que tá todo mundo olhando pro relógio já de saco cheio, uma pessoa abriu um vãozinho da porta e enfiou a cabeça na sala. Todo mundo parou e olhou, o que era exatamente a intenção do cara. Ele terminou de abrir a porta, entrou, falou que teve um compromisso inadiável e por isso não conseguiu chegar mais cedo. O cara era funcionário da empresa que estava nos vendendo o serviço, tinha 500 pessoas da empresa na sala, a apresentação estava acabando, eu não estava entendendo o que aquele cara estava fazendo ali.

Ele ficou em pé na frente da sala e começou a falar sem parar, tipo um showmen. De repente começaram a chegar mensagens no meu celular. Como eu já não estava entendendo nada mesmo, resolvi ler. Gente, era uma pessoa me contando que aquele cara era filho da vovó Mafalda! Ele era filho da Vovó Mafalda de verdade!!!

Não aguentei, me deu outro acesso de riso, tive que sair da sala de novo e quando voltei já estava todo mundo se despedindo. Eu sei que não foi muito profissional da minha parte e que hoje não tem graça nenhuma, mas quando eu comecei a imaginar como é que o filho da vovó Mafalda foi parar em uma empresa de terceirização, eu não aguentei.

Eu era jovem na época, mas rir fora de hora é um mal que me aflige até hoje e eu não consigo controlar. Agora mesmo estou rindo porque fui dar um Google pra ver o nome do cara e descobri que a Beth Guzzo (os mais antigos conhecerão) também era filha da vovó Mafalda (que na verdade era um homem). E aí já comecei a lembrar que o cavalinho malhado sempre ganhava e tô aqui rindo sozinha.

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