Cuide bem do peru

Mais uma para a coleção de histórias de RH

Todo mundo que trabalhou em Recursos Humanos antes da existência de gift cards (cartões presente) já passou pelo pesadelo da cesta de Natal. Veja bem, oferecer cestas de Natal para os funcionários é maravilhoso, o pesadelo era a logística da entrega.

Para quem não é daquele tempo, vou explicar. No final do ano as empresas costumavam oferecer cestas de Natal aos funcionários, como eu acho que ainda acontece, mas hoje em dia essas cestas viraram um cartão de débito que pode ser usado em supermercados. Naquela época era uma cesta mesmo, que tinha nozes, biscoitinhos amanteigados e outros itens de mercearia, mas tinham os congelados (peru, chester,etc) e os congelados é que tumultuavam tudo.

Onde eu trabalhava, a complicação era dobrada. Estávamos no sétimo andar de um prédio que era parte de um complexo empresarial, cheio de regras. Nossa empresa tinha mais ou menos 400 pessoas nesse prédio e todas teriam direito à sua cesta de Natal. Para dificultar mais, a empresa que faria a entrega das cestas não podia nos dizer com antecedência o horário em que chegaria, só conseguimos agendar o dia. E pra completar, a parte congelada da cesta teria que ficar no caminhão frigorífico, no subsolo, e as pessoas teriam que descer lá para buscar. Tudo isso gera uma logística enorme de chega caminhão, separa cesta, organiza as pessoas para buscarem a cesta no subsolo, controla quem já pegou, é um pesadelo.

O dia da entrega das cestas chegou e eu estava lá, Gerente de RH do prédio, tentando organizar tudo e garantir que todo mundo saísse de lá com a sua cesta. Mas enquanto eu tentava fazer tudo funcionar, não parava de entrar gente na minha sala pra reclamar, “eu sou alérgico a nozes, posso trocar por sei la o que”, “eu já tinha comprado esse azeite, dá pra me dar duas garrafas de vinho”, “eu não como aves, tem como colocar uma carne de porco” e por aí vai.

Lá pelas 3 da tarde eu já tinha ultrapassado meu limite de paciência e estava prestes a enforcar o próximo que entrasse na minha sala dizendo que queria trocar a cesta vermelha pela verde. Eram 400 pessoas e todas estavam infelizes.

Eis que, quase no fim do dia, quando eu já estava arrumando a minha bolsa pra correr pro bar, entra um cara na minha sala, puto, pisando firme, cara amarrada. Parou na minha frente, bateu com as duas mãos fechadas na mesa e gritou “CADÊ O MEU PERU?”. A quinta série dentro de mim não aguentou, caí num acesso de riso incontrolável, daqueles que você não consegue segurar de jeito nenhum. Simplesmente eu não conseguia parar de rir. Imagina um homem alto, de barba, mais de 40 anos, puto porque tava sem peru. Não consegui.

Passados uns 2 minutos, o cara viu que eu não ia parar de rir, me xingou e foi embora.

Depois ele ligou pra minha chefe, fez uma reclamação formal e foi um fuzuê todo. Mas até hoje, quando eu penso naquele homem, daquele tamanho, gritando CADE O MEU PERU eu não consigo parar de rir. Por isso eu digo, querido colega de RH, agradeça por não ser mais reponsável pelo peru.

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