O homem do saco corporativo

Infelizmente essa história não é sobre aquele homem do saco que os pais usam pra assustar os filhos, se fosse seria bem menos constrangedor.

Esse episódio aconteceu no meu primeiro mês trabalhando nos Estados Unidos. Eu tinha acabado de chegar em um país novo, estava trabalhando com pessoas que eu não conhecia e fazendo um trabalho que era novo para mim, ou seja, estava completamente perdida e com um pouco de vergonha generalizada de tudo e de todos.

Logo no primeiro dia que eu cheguei para trabalhar a minha salinha já estava pronta, como nome na porta e tudo. Sim, eu tinha uma sala só para mim porque o trabalho que eu fui fazer lá, indicadores de RH, era extremamente confidencial.

Mas eu vim a descobrir que a porta da sala nunca impedia ninguém, no máximo fazia com que as pessoas dessem uma leve batidinha antes de entrar. E como todos os diretores e VPs estavam super animados com o trabalho que eu estava fazendo, vira e mexe tinha alguém atrás da minha cadeira me observando mexer no excel, afinal nada mais excitante do que ver alguém performando um vlookup ou uma tabela dinâmica. Mas como eram pessoas hierarquicamente importantes, não tinha problema porque eles tinham acesso às informações, então minha chefe nunca pediu para que eles não entrassem e eu muito menos.

Nesse dia eu estava, como de costume, sentada mexendo no excel, quando um dos diretores bateu na porta e entrou. Também como de costume, ele foi super simpático, falou um bom dia, jogou uma conversa fora e se posicionou no lugar habitual, atrás da minha cadeira. Mas ele tinha vindo para me pedir para fazer uma coisa específica e meio complexa, então eu me virei para entender melhor o que ele estava falando, afinal eu tinha acabado de chegar nos Estados Unidos e ainda estava meio insegura com o inglês.

No que eu virei, eu vi. Vi tudo. O cara tava com o zíper aberto e um pedacinho do saco saindo pra fora. Não era cueca, era o saco mesmo. Naquela hora o mundo parou pra mim, porque a risada chegou na garganta e eu fechei a boca pra não deixar sair, nisso a risada voltou e eu engasguei. Fiquei tossindo no saco do cara, que continuava de pé olhando para o meu computador, fingindo que eu não estava tossindo porque ele devia estar sem graça.

Eu não sabia o que fazer, não conseguia para de tossir e não conseguia mais segurar o riso, começou a doer a barriga. Tive que pedir licença através de mímica e saí correndo pro banheiro, onde finalmente eu pude ter meu ataque de riso incontrolável. Minhanossasenhora, não sei nem quanto tempo eu fiquei no banheiro, eu não conseguia parar de rir, eu tentava pensar em outra coisa, mas aquela cena ficava passando na minha cabeça sem parar. Ficava vendo aquele zíper semi aberto, com um pedaço de pele enrugada e com pelinhos, tentando escapar.

Depois de um tempo eu consegui me controlar e voltei pra minha sala, ele não estava mais lá. Deixou um bilhete num post it dizendo que tinha uma reunião, mas voltava depois. Não voltou. Não sei se ele se ligou no que aconteceu ou se realmente precisava sair e acho que eu prefiro nem saber. A partir daí nos falamos por email e só fomos nos ver em uma reunião semanas depois.

Por isso se você é homem, antes de deixar a virilha na altura da cabeça de uma mulher, tenha certeza que seu zíper está fechado e seus órgão sexuais devidamente acondicionados, porque ninguém é obrigado. Obrigada.

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