Alguém mais já (quase) esteve em Marte?

Esse lugar fantástico foi uma das paradas de uma Road Trip que eu fiz na Austrália com a minha amiga Ludmila. A gente foi de Sidney a Adelaide de carro e de Adelaide pegamos um ônibus para Coober Pedy, no Outback Australiano. Isso foi em 2010 se eu não me engano.

Austrália né gente, um dos lugares mais fantásticos da face da Terra… e tem muita coisa para fazer, muitos lugares para visitar, muita gente pra conhecer, é demais. Durante meus quase 2 anos fazendo mestrado lá, eu tive a oportunidade de viajar bastante e essa viagem foi uma das mais legais, dirigindo pela Great Ocean Road.

Mas essa história é sobre uma cidadezinha, na entrada do Outback, chamada Coober Pedy. A Lud e eu queríamos ir para Alice Springs, visitar Uluru, aquela famosa pedra que aparece em todos os cartões postais australianos, mas a viagem era muito longa e muito cara e a gente estava sem tempo e sem dinheiro, então nos recomendaram Coober Pedy, uma cidade menor, menos turística e mais próxima.

Eu não consigo me lembrar ou entender porque a gente não pesquisou melhor o que a gente ia fazer lá ou como era a cidade. Contratamos uma empresa que nos dava o transfer e a acomodação, mas era isso, o resto ficava por nossa conta. Mas fomos felizes, super animadas nas 5 primeiras horas da van, as horas restantes já foram um pouco mais cansativas.

Chegamos lá e achamos que não íamos mais sair. Fazia um calor, mas era um calor desumano. Uns 45 graus eu acho. Mas nos levaram para o nosso albergue, que era embaixo da terra!!! Sim, em Coober Pedy a maior parte das casas é subterrânea porque a terra faz um isolamento térmico e não deixa o calor entrar. Aquilo foi uma maravilha! Assistimos ao por do sol, jantamos com a turma do busão e fomos dormir.

Entrada do albergue
Os quartos
Por do sol

No dia seguinte eu acho que de manhã fomos visitar um museu. Coober Pedy é uma cidade de garimpo de Opala e é só disso que a cidade vive, o museu da cidade obviamente era disso também. Mas aí nos largaram lá, naquele calor desértico e, para nossa surpresa, todo mundo da excursão já tinha fechado algum tipo de programa turístico e se dispersaram, nós ficamos lá sem saber o que fazer, mas as opções não eram muitas.

Decidimos andar um pouco pela cidade pra ver o que tinha. Andamos 3 minutos e não conseguíamos mais nos mexer, tamanho era o calor. Olhamos para o lado e tinha uma igreja subterrânea e tava acontecendo uma missa ou algum tipo de cerimônia. Sem pensar duas vezes entramos. No segundo que a gente pisou na igreja todo mundo olhou para trás e, para nossa surpresa, não tinha ninguém com menos de 70 anos. Com isso o padre ou pastor, não sei bem, parou a cerimônia e nos convidou a sentar. Tava tão fresquinho lá dentro que a gente nem precisou se olhar, sentamos imediatamente.

Passados uns 20 minutos a cerimônia acabou e todo mundo começou a se dirigir para uma salinha que tinha ao lado do salão principal. Era bem óbvio que todo mundo se conhecia, eram todos Australianos e estavam fazendo algum tipo de excursão da terceira idade. Lud e eu fomos nos dirigindo à saída, já pensando no que iríamos fazer o resto do dia naquele calor infernal, quando um dos senhores se aproximou, começou a puxar assunto e nos chamou para comer um lanchinho com eles na salinha. Nossa, fomos correndo.

A salinha era o paraíso na Terra, ou nesse caso no inferno. Super fresquinha, cheia de água e sucos gelados, muitas comidinhas, várias sobremesas e, claro, um vinhozinho gelado, afinal se na Austrália não tem álcool é porque você não procurou direito.

Mas tudo que é bom tem um fim, todo mundo comeu, todo mundo bebeu, um ônibus de turismo estacionou na porta, todos pegaram suas bolsas e foram subindo. Mas na Austrália a diversão nunca tem fim e uma das senhoras nos convidou para ir com eles fazer um tour pela cidade e pelas redondezas. NO ÔNIBUS COM AR CONDICIONADO! Só não pulamos a janela porque estava fechada.

Fizemos um turismo maravilhoso naquele ônibus fresquinho com aquelas pessoas maravilhosas. Vimos tudo o que tinha para ver com explicações, visitamos a cerca mais longa do mundo (risos mas é sério) e, no final, o ônibus parou em um dos locais mais lindos que eu já vi, que é conhecido por ter um solo parecido com o de Marte e que fica meio afastado da cidadezinha. Como era o ponto final antes de voltarmos para a cidade, o motorista e a guia montaram uma mesa com quitutes e mais vinho branco para a gente apreciar o por do sol.

Aquela risca no horizonte é o céu mesmo, a foto não está cortada

Mais uma vez, a parte branca é o céu, a foto não está cortada
A foto oficial do melhor grupo de turismo já existente nesse mundo

Dormimos muito felizes e no dia seguinte fomos embora. Por isso que eu digo que as vezes é melhor não planejar, para dar a oportunidade de coisas inesperadas acontecerem. Meu marido discorda.

E deixo como recomendação uma série do Netflix que chama Instant Hotel, que mostra pessoas que querem transformar suas casas em Airbnbs e vão sendo avaliados e tals, eu amei as duas temporadas. Mas o primeiro episódio da segunda temporada é em Coober Pady, vale dar uma olhadinha.

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