Pequenas histórias de machismo

Machismo é um negócio de merda, né? Têm vezes que é fácil perceber, mas têm horas que ele é meio velado, meio escondido e às vezes passa até despercebido.

Eu mesma comecei a perceber essas situações mais recentemente, tenho certeza que quando eu era jovem aconteceram muitos episódios machistas dos quais eu nem me dei conta.

Mas outro dia tava aqui ouvindo um podcast e a pessoa contou uma história que me fez lembrar de algumas situações que me irritaram demais.

Fulaninho em Las Vegas

Como já diz o título, essa aconteceu em Las Vegas, acho que em 2017 ou por aí.

Fui passar um feriado lá com o meu marido, compramos um negócio e tínhamos que assinar um contrato. Os dois tinham que assinar porque somos casados. O Fulaninho que estava nos atendendo pediu as nossas identidades e quando olhou disse algo como “eu achei que vocês fossem casados no papel” para o que respondemos “nós somos”.

O cara ficou super confuso, pegou o telefone e ligou para o chefe dele e disse “eles estão dizendo que são casados, mas ela não tem o sobrenome dele”. Veja bem, ele não disse que a gente não tinha o mesmo sobrenome, ele disse que eu não tinha o sobrenome do meu marido.

Já subiu aquele sangue e deu aquela vontade de gritar “não mudei o nome mesmo, eu casei mas continuo sendo eu, e só mudo o sobrenome se eu quiser”. Não gritei nada disso, só informei que NÓS DOIS decidimos manter nossos nomes de solteiro, mas enfatizei bem o nós dois, porque Paulo Eduardo poderia ter adotado meu sobrenome se quisesse, mas preferiu manter o dele mesmo.

Enfim, o cara ficou confuso, mas resolveu. E eu passei o dia com ódio, mas depois passou.

Vendedor de coisas na República Dominicana

Esse também aconteceu por volta de 2017.

Fui passar uma semana com a minha tia e a minha afilhada na República Dominicana e ficamos em um resort na beira da praia (aquela coisa que todo mundo que vai pra lá faz).

Assim como no Brasil e em vários outros lugares do mundo, têm várias pessoas vendendo coisas pela praia, o que eu respeito muito e inclusive compro com frequência.

Nesse dia estávamos andando pela praia e tinha um cara vendendo nem sei o que. Ele estava parado oferecendo seu produto a quem passasse. Na nossa frente tinham dois caras e um casal. Ele ofereceu para os dois caras, eles disseram que não obrigado e ele agradeceu. Passou o casal, ele novamente ofereceu, eles recusaram e ele agradeceu. Aí passamos nós, três mulheres (duas mulheres e uma menina), ele ofereceu, a gente agradeceu e ele começou a nos seguir dizendo coisas tipo “mas porque tão sérias?”, “tão bonitas, podiam dar um sorriso”, “vocês estão na praia, não estão se divertindo?”, etc.

Na hora eu não fiz nada, só fiquei com raiva, depois me arrependi de não ter respondido.

O que faz esse cara (e muitos outros homens) acharem que a gente precisa sorrir, precisa ser simpática e que ele pode ficar nos assediando só porque somos mulheres? Eu não vi ele andando atrás dos dois caras pedindo pra eles sorrirem, perguntando se eles estavam se divertindo.

Esse caso aconteceu lá, mas acontece em todo lugar.

O manobrista assediador

Esse caso é mais antigo, aconteceu quando eu ainda morava em São Paulo, em 2008 ou 2009.

Todo dia eu saía para correr pelas ruas de Moema. Nesse dia eu estava passando em frente a Tok Stok da Avenida Ibirapuera, correndo super na minha, quando passei na frente de um grupo de manobristas que estava parado na frente da loja. Enquanto eu passava um deles começou a gritar coisas do tipo “nem precisa correr que tá ótima”, “quero correr com você” e esse tipo de baboseira que infelizmente é tão comum na nossa vida.

Mas pro azar dele, nesse dia eu não tava boa. Voltei, parei na frente dele e falei algo como “você não tem vergonha de ficar assediando as mulheres na rua não? Você não tem família em casa, eles sabem que você faz isso? Deixa eu ver o seu nome que eu vou agora falar com o gerente da loja” e olhei no crachá dele. O cara ficou desesperado, quase chorou, começou a falar que não podia perder o emprego, pediu desculpas, disse que estava só brincando e aquelas mesmas coisas que todos falam.

Eu entrei na loja, falei com o gerente e disse que se acontecesse de novo eu ia chamar a polícia. Não sei o que aconteceu depois, mas nunca mais eu vi um manobrista ali na frente. Não sei se o cara foi demitido, mas se não foi merecia ter sido.

Fim

Depois que minha filha nasceu eu virei um leão e ai de quem se atrever a vir com machisminho pra cima de mim, porque agora tem volta.

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