A casa é minha

Esse é mais um texto sobre uma pequena bruxaria :).

Alugamos essa casa em que estamos morando em Novembro de 2020, um mês após nossa chegada em Portugal. Desde a primeira vez que a gente viu a casa a gente amou. É uma casa bem grande, num bairro super legal e velha, como a maior parte das casas por aqui.

Mas logo que chegamos começou a bagunça do lockdown, Lara vai pra escola depois a escola fecha, a gente vai pra praia e a praia fecha e todas essas coisas que um confinamento traz. Desde o princípio nos questionamos se iríamos mesmo ficar por aqui.

Começamos a mobiliar a casa com móveis do nosso gosto, mas como eu ainda não estou trabalhando, compramos só o necessário e a casa está meio vazia. E eu nunca senti que essa casa era realmente minha.

A casa por sua vez já nos deu muito problemas. Já tivemos que trocar quadro de luz, fogão, mofo pra todo lado, lava louça que não lava direito, problemas com o gás e várias outras coisinhas.

Aí ontem eu estava me sentindo completamente desconectada com a casa, como eu me sentia nos vários Airbnbs pelos quais passamos nos últimos meses. Começou a me dar muita saudade da nossa última casa nos Estados Unidos, onde a Lara nasceu, porque lá eu sentia que era a minha casa.

Decidi perguntar no meu maravilhoso grupo de mulheres no whatsapp se alguém tinha algum tipo de ritual para aumentar essa conexão com a casa e, para minha surpresa, muitas tinham.

Toda essa conversa me fez sonhar com a música “A Casa é Sua” do Arnaldo Antunes e isso me fez refletir sobre esse meu sentimento e eu percebi que a casa também estava desconectada de nós. Que desde que chegamos estamos falando que é temporário, compramos móveis novos, mas não colocamos nenhum enfeite, nada que era nosso. A casa estava nos devolvendo a mesma energia que nós estávamos trocando com ela.

Aí me animei, decidi que hoje isso ia mudar e que a gente ia se apaixonar pela casa e ela por nós. Peguei meu vasinho com olhos e um sorriso, botei sal grosso, alecrim, canela, cravo, cebolinha da minha horta e um óleo de laranja, acendi um incenso e, junto com o meu marido, falei o que a gente queria sentir nessa casa. Botei uma playlist bem animada e comecei a limpar, com sal grosso misturado, claro.

E conforme eu fui limpando eu fui “sentindo” a energia da casa, olhando os lugares onde eu gostava de ficar e onde eu já tinha feito memórias nesse pouco tempo em que estamos aqui.

E eu, que já estava querendo comprar prateleiras e mais móveis pra colocar os poucos enfeites que a gente trouxe, comecei a achar lugarzinhos perfeitos para cada um deles.

Por hoje eu parei, cansei e ainda não terminei, mas já me sinto mais acolhida, mais feliz de estar aqui. E eu tenho certeza que a casa também está mais feliz porque a gente agora se apaixonou.

Você pode não entender, para você uma casa pode ser só um monte de concreto. Só que não. A casa é tudo aquilo de bom e de ruim que a gente traz pra ela. E ter uma casa feliz, com uma energia limpa e alegre faz muita diferença na nossa vida.

Ainda vou levar uns dias para terminar o ritual, mas essa casa já é minha.

5 comentários sobre “A casa é minha

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