Dina, vai viver – um conselho, uma bigorna

Quem está acompanhando um pouquinho da minha história mais recente aqui no blog sabe que nos últimos 10 meses as coisas têm dado mais ou menos certo, mas não sem antes darem muito errado. É perrengue atrás de perrengue, caos e confusão por todo lado. (leia aqui).

Claro que eu não sou a única pessoa a passar por tudo isso, imagino que quem tá vivo tá passando algum tipo de perrengue nesse momento e eu não quero, de jeito nenhum, fazer aqui uma competição de problemas. O que eu quero é contar de como esse conselho – vai viver – mudou radicalmente a forma como eu estou encarando tudo isso.

Resumindo o último ano, teve pedido de demissão, visto de trabalho vencido, impossibilidade de viajar, impossibilidade de trabalhar, creche fechada, dinheiro guardado indo embora que nem água, confinamento total por meses em casa com o marido (teremos um post só sobre isso), não conseguir mudar de país, depois de muita luta mudar de país, dificuldades no novo país, indefinição de carreira e, a cereja do bolo, a situação do Covid em Portugal saiu do controle e decidimos que a Lara não irá para a escolinha nas próximas semanas.

Com tudo isso acontecendo, somado ao constante medo de pegar esse maldito vírus, desde Março de 2020 que a minha vida tem estado em um constante estado de espera. Vamos esperar mudar de casa, vamos esperar o visto sair, vamos esperar mudar de país, vamos esperar achar uma casa, vamos esperar a Lara começar a escola e por aí vai. Até para a pessoa menos ansiosas do planeta, viver assim causa muita ansiedade.

E o pior é que a maior parte dos acontecimentos que eu estava esperando estavam fora do meu controle, não havia nada que eu pudesse fazer e eu estava vivendo numa situação de sufocamento constante. Era assim que eu me sentia, sufocada, como se eu não conseguisse subir à superfície para tomar um pouco de ar (leia aqui).

Somado a isso, e causando mais ansiedade do que eu poderia imaginar, está o fato de que quando eu pedi demissão lá em Março de 2020, eu decidi que eu queria mudar de carreira, que Recursos Humanos não era mais o que eu queria fazer, que eu iria tomar um tempo para decidir o que realmente me faria feliz.

Claro que uma decisão dessas não acontece sem estresse. Foram 20 anos fazendo isso e com sucesso, largar assim para se jogar ao desconhecido não é o tipo de coisa que eu, uma control freak, faço com frequência. Mas nesse tumulto de esperas infinitas, essa decisão também foi sendo empurrada mais pra frente, foi sendo deixada de lado enquanto eu esperava alguma coisa acontecer.

Mas finalmente, no final de Dezembro de 2020, eu consegui respirar. A gente estava bem instalado em Portugal, Lara na escola então eu tinha o tempo livre e a vida em geral indo relativamente bem. Nesse momento que comecei a pensar no meu propósito e consegui defini-lo (leia aqui). Foi quando a ansiedade bateu de novo, agora que eu sabia o que eu queria fazer, como eu faria daquilo um trabalho? E essa pergunta não saía da minha cabeça, eu passei algumas semanas pensando nisso o tempo todo, o tempo todo mesmo. Não achei resposta.

Até que, durante uma sessão de terapia, quando eu contava para a Deborah, pela milésima vez, que eu estava ansiosa, que eu não estava achando o caminho e bla bla bla, ela simplesmente falou “Dina, vai viver”.

Aquilo caiu como uma bigorna no meu estômago. Os últimos meses passaram como um filme na minha cabeça e eu olhei para as várias as oportunidades de viver que eu perdi porque eu estava estressada e ansiosa esperando alguma coisa acontecer.

E agora, depois de tantos meses, eu comecei a viver. Comecei a estar presente de verdade em cada momento da minha vida. Estar presente no sentido vivenciar cada experiência ao invés de fazer coisas pensando em outras. Quando eu estou com a Lara o meu foco é brincar com ela, se eu estou lendo eu não olho pro celular, detesto lavar louça então agora eu faço isso ouvindo um podcast que me deixe pra cima, quando estou me comunicando com alguma amiga eu foco naquela conversa. Estou vivendo os momentos ao invés de ligar o piloto automático e fazer tudo pensando no que vem depois. E desligar o celular ajuda, eu não tinha a noção de quantas coisas eu estava perdendo porque eu estava nas redes sociais.

Ainda não achei a resposta para a pergunta do “como eu transformo meu propósito” em um trabalho, mas encontrei uma maneira de viver a vida mais leve, com menos ansiedade e mais prazer, mesmo em meio à pandemia. E à minha psicóloga Deborah eu só posso agradecer pela paciência, sábias palavras e pela melhor bigorna que alguém já me atirou :). E agora Vai Viver!

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